Vou ali e já volto


Minha nossa Senhora do Carmo, como o tempo passa e parece que foi ontem que atualizei isto e afinal à meses que não ponho aqui os pés...

Meus caros, só para deixar o ponto de situação, ainda estou vivo! Mas o trabalho e a falta de imaginação não me permitem vir aqui regularmente infelizmente.

Para quem me acompanha sabe que eu gosto de escrever, nem que seja sobre a coisa mais random que possa existir! (Pensando bem, um dia destes ponho aqui uns textos que tenho guardados num caderno, assim sempre vos ocupo um bocadinho de tempo eheh) E se não escrever dou em doido, está comprovado cientificamente.

E desta vez, o que me traz aqui é o meu testemunho de como é voltar a “casa” depois de tanto tempo “longe”. Deveis estar a pensar “lol Renato, daqui à Irlanda é um saltinho” e é verdade! Mas para quem trabalha sabe que não é assim tão simples, porque perde-se muito tempo em viagem (mais concretamente 3h30m de autocarro de Cork a Dublin, mais 2h50m de Dublin a Lisboa e mais 2h de Lisboa a casa) e não compensa ir a casa mesmo tendo três dias de folga.

Mas então, como mencionei à pouco, voltar a Portugal é um misto de sentimentos, porque por um lado sinto que estou de volta a casa mas por outro sinto que estou incluído no grupo dos avecs ahah
Depois de tanto tempo fora, sinto que mal saio do avião respiro um ar diferente...não sei cheira a Portugal...sinto que já não preciso de ir a “casa” para me sentir em casa (não sei se me faço entender), é algo tão satisfatório só pelo facto de ser Portugal que já isso me traz um brilho no olhos!
Vou-vos contar o que me aconteceu nesta última viagem porque foi um acontecimento estranho durante as 2h50m: estava esta peça sentada no lugar 3A (para quem não sabe, lugar com janela...”gente fina é outra coisa” já diz a minha mãe) e no lugar 3B ia uma jovem que também era portuguesa, mas com aparência de irlandesa pois era ruiva, e do nada mete conversa comigo pois eu estava com identificação da Ryanair e os tripulantes desse voo ficaram com outro “mood” quando viram um colega de trabalho (não é todos os dias que tens colegas de trabalho a viajarem contigo) e a tal moça começou por fazer aquela conversa básica de quem não tem nada para fazer durante 3h, eu como boa pessoa que sou não a ia deixar sem resposta hahaha! Mas fora de brincadeiras, confesso que ajudou a passar o tempo mais depressa e isso foi bom. Grande parte do tempo o tema da conversa foi as saudades de casa, da família, amigos, comida e até do tempo, porque na Irlanda o tempo é deveras horrível! Vou-vos ser sincero, só o facto de falar português dentro de um avião onde passo entre 8-10h a falar inglês constantemente fez-me sentir livre e como se tivesse soltado um peso enorme dos ombros! Mas a parte mais cómica foi quando aterrámos e saímos do avião, a pobre coitada chorava desalmadamente, eu olhava para ela, ela para mim e só nos riamos...ríamos que nem dois perdidos de felicidade! Ela já não vinha a casa à 2 anos então foi lindo ver a alegria dela, mas digo-vos que só não fomos mandados para um hospício porque não haviam médicos à volta, pela forma como nos estávamos a rir ninguém diria que éramos pessoas normais. Continuando, cada um seguiu o seu caminho que estava previamente destinado (quanta filosofia) e lá fui eu matar saudades. Eu não consigo descrever a alegria que é de ver a família, estar com os amigos, passear por sítios conhecidos etc (se não tens palavras porque estás a escrever seu burro?) tudo para relembrar coisas que outrora eu fazia com regularidade e deixei de fazer porque emigrei.

Pessoas, com isto não estou a dizer que me arrependo! Pelo contrário, ter ido embora foi das melhores coisas que me aconteceu na vida e espero que a ida para a Irlanda seja um pequeno passo para o que aí vem no futuro, quem sabe um dia não estarei na Fly Emirates a viver no Dubai ahah. Existe aquela frase “ah e tal as pessoas só dão valor quando perdem” e no meu caso 50% aplica-se porque eu não perdi, mas aprendi a dar valor por mais pequenas que as coisas sejam pois têm uma intensidade maior.

Senhores e Senhoras, peço desculpa por ter estado tanto tempo offline mas a vida não permitiu o contrário.
Um beijo e um queijo a todos.

Comentários

  1. olá, olá, viajante! pensei que já tinhas desistido disto!
    Não acredito como é que podemos ter tanto em comum, eu também tenho que estar sempre a escrever alguma coisa, nem que seja no meu diário (sim, eu tenho 22 anos e ainda escrevo um diário), se não parece que falta alguma coisa. Chama-lhe um ritual, se quiseres, mas só a escrever é que me sinto bem. E gostava muito de ler esses teus tais textos...
    Também estou à espera de poder ir trabalhar para o estrangeiro. Mas engraçado que não te tomava como comissário de bordo. A minha área é parecida, estou a tirar uma formação para Steward (empregada de andares) para navios de cruzeiros.
    Não apanhei essa do beijo e do queijo, mas falando da irlanda, encontraste a tal magia que te falei?

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    Respostas
    1. Olá olá!!
      Já viste a coincidência, que interessante. Não há problema nenhum em teres diário, é algo que faz parte de ti.
      Qualquer dia pode ser que os publique!
      Boa sorte para essa tua nova etapa na tua vida, vais adorar.
      Um beijo e um queijo é uma expressão do norte ahah
      Encontrei mas é uma coisa muito vaga, não da aquela vontade de ir procurar mais e saber mais.

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